Inflação acelera no Brasil em fevereiro e reforça cautela do mercado com trajetória dos juros

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A inflação brasileira voltou a ganhar força em fevereiro, reforçando a percepção de que o processo de desinflação no país segue irregular e sensível a pressões sazonais e estruturais.

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — indicador oficial de inflação do Brasil — registrou alta de 0,83% em fevereiro de 2026.

O resultado representa aceleração significativa frente a janeiro, quando o índice havia subido 0,42%.

No acumulado de 12 meses, a inflação brasileira passou para 4,51%, aproximando-se do limite superior da meta estabelecida para a política monetária.

Meta de inflação continua pressionada no Brasil

O sistema de metas conduzido pelo Banco Central do Brasil estabelece para 2026 uma meta de 3% ao ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Isso significa que o teto do regime é 4,5%.

Com o IPCA de 12 meses em 4,51%, a inflação volta a ultrapassar marginalmente o limite superior da banda, um sinal monitorado de perto por economistas e gestores de ativos.

A trajetória recente reforça uma característica recorrente da inflação brasileira: desaceleração lenta e com forte rigidez em determinados segmentos da economia, especialmente serviços.

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Educação lidera pressões inflacionárias

A maior contribuição para o resultado de fevereiro veio do grupo educação, que registrou alta de aproximadamente 5% no mês.

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Esse movimento ocorre tradicionalmente no primeiro trimestre devido a:

  • reajustes anuais de mensalidades escolares
  • atualização de cursos e material didático
  • correção de serviços educacionais privados

Mesmo sendo um fenômeno sazonal, o impacto costuma ser relevante porque educação possui peso significativo na cesta do IPCA.

Serviços continuam mostrando rigidez

Outro ponto observado por analistas é a persistência inflacionária no setor de serviços.

Serviços tendem a responder mais lentamente à política monetária por estarem ligados a:

  • mercado de trabalho
  • renda disponível
  • contratos indexados

Esse comportamento é frequentemente chamado no mercado de “núcleo rígido da inflação”, pois permanece elevado mesmo quando bens industriais desaceleram.

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Transportes e alimentos também influenciaram o índice

Além de educação e serviços, outros grupos contribuíram para o resultado:

Transportes

  • alta em passagens aéreas
  • reajustes pontuais em combustíveis

Alimentação

  • variações em alimentos in natura
  • impactos climáticos em algumas cadeiras produtivas

A combinação desses fatores elevou a difusão inflacionária do índice, indicando que a pressão de preços ocorreu em diversos segmentos da economia simultaneamente.

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Surpresa frente às projeções do mercado

O resultado divulgado também ficou ligeiramente acima das estimativas de economistas consultados por instituições financeiras, que projetavam inflação mensal próxima de 0,78%.

Surpresas inflacionárias — mesmo que pequenas — costumam ter impacto relevante no mercado porque alteram expectativas para:

  • política monetária
  • juros futuros
  • taxa de câmbio
  • precificação de ativos domésticos

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Reflexo imediato na curva de juros

Após a divulgação do indicador, operadores passaram a reavaliar o ritmo esperado de cortes na taxa básica.

A política monetária é conduzida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por definir a taxa Selic.

Quando a inflação mostra sinais de persistência, o espaço para cortes rápidos nos juros tende a diminuir, já que o Banco Central busca evitar uma reaceleração inflacionária.

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Expectativas do mercado para a inflação

As projeções mais recentes do relatório Focus indicam expectativa de inflação anual ainda acima da meta central nos próximos anos.

Entre os fatores monitorados pelos analistas estão:

  • persistência inflacionária em serviços
  • indexação de contratos
  • política fiscal
  • dinâmica do câmbio
  • preços internacionais de commodities

Esses elementos ajudam a explicar por que a convergência da inflação ao centro da meta tem sido mais lenta que o esperado em ciclos anteriores.

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O que os investidores monitoram agora

Com a inflação voltando a acelerar no início de 2026, o mercado passa a observar três vetores principais:

1️⃣ Inflação de serviços
considerada o principal componente de rigidez inflacionária.

2️⃣ Trajetória fiscal brasileira
capaz de influenciar expectativas de inflação de longo prazo.

3️⃣ Próximos dados do IPCA
que podem confirmar ou não a continuidade da pressão inflacionária.

A leitura desses indicadores será determinante para a trajetória dos juros e, consequentemente, para o desempenho de ativos brasileiros ao longo do ano.

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Lucas Lopes Lopes
Lucas Lopes Lopes
Jornalista cubro editorias de economia há 10 anos. Especializado em criptoativos e-mail: [email protected]
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