O leilão do sistema de trens urbanos do Rio de Janeiro, realizado na terça-feira (10/02), terminou sem concorrência real — apenas um grupo de fundos de investimento apresentou proposta válida, em um certame judicial que reflete tanto a crise da atual concessionária, SuperVia, quanto a percepção de risco do setor de infraestrutura de transporte no Brasil.
Entenda a crise dos trens urbanos do Rio
Único participante: o consórcio formado pelos fundos Nova Via e Magna foi o único a apresentar lance no leilão para operar os trens urbanos da Região Metropolitana do RJ.
Contexto da SuperVia: a atual concessionária, controlada pela Gumi (parte da japonesa Mitsui), está em recuperação judicial desde 2021, abrindo espaço para a transferência da concessão.
Desconto mínimo: a oferta única trouxe um deságio de apenas 0,06% sobre a tarifa referencial de R$ 17,60, sinalizando baixa pressão competitiva.
Novo modelo de concessão: contrato de cinco anos, renováveis por mais cinco, com remuneração por quilômetro rodado em vez de passageiros transportados.
Próximos passos: audiência agendada para 25/02 e ainda falta assinatura do contrato e fase de operação assistida com a SuperVia
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A ausência de concorrência no leilão do transporte ferroviário do Rio
Leilão sem disputa real evidencia aversão ao risco
O certame foi marcado pela ausência de competição: apenas um consórcio apresentou proposta no processo licitatório que define o novo operador do sistema ferroviário fluminense. Isso ocorre em meio a um ambiente judicial e operacional complexo, envolvendo a atual concessionária SuperVia em recuperação judicial com passivos e dificuldades financeiras herdadas ao longo de anos de operação deficitária.
Causas da falta de interesse de mercado
A decisão de investidores em não participar, ou de apresentar uma oferta muito próxima ao mínimo, pode estar associada a fatores como:
- Fragilidade financeira e passivos da SuperVia, que vinha operando a malha histórica desde 1998 e acumulou déficits antes de entrar em recuperação judicial.
- Modelo de remuneração e risco de demanda, agora baseado em quilômetro rodado, que pode não compensar custos estruturais elevados.
- Desafio de operar infraestrutura de baixa margem, com custos fixos altos e receitas dependentes de políticas tarifárias e padrões de mobilidade que se alteraram após a pandemia. (contexto implícito ao cenário nacional)
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Implicações para o setor de transporte público
A falta de competidores em um leilão de infraestrutura de grande porte levanta questões sobre a atratividade do mercado para investidores privados no Brasil — especialmente em modalidades como trens urbanos, que dependem de investimentos contínuos e estabilidade regulatória. Isso pode influenciar modelos futuros de concessão e a formulação de políticas públicas para tornar o ambiente mais competitivo e seguro para investidores.



