Moraes pede abertura de sigilo no caso Master, e Fachin acata; medida pode prejudicar investigação de Mendonça em andamento

Ministro aparece citado na investigação sobre o Banco Master e solicitou acesso integral aos procedimentos; decisão de Fachin determina que Mendonça encaminhe os autos à Presidência e aos demais ministros, mas preserva diligências que possam ser prejudicadas

Alexandre de Moraes pediu a retirada integral do sigilo dos procedimentos relacionados ao caso Banco Master, e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, acolheu a solicitação, apresentada também pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Paulo Gonet da (PGR) também é citado nas mensagens de Vorcaro na mesma investigação.

André Mendonça, relator do caso, terá 24 horas para encaminhar os procedimentos à Presidência e aos demais ministros da Corte. A decisão ressalva diligências cujo sigilo ainda seja necessário para não comprometer a investigação.

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O Moraes questionou a abertura parcial realizada por Mendonça e defendeu que os procedimentos fossem disponibilizados integralmente. Segundo Moraes, 180 peças não teriam sido incluídas entre os documentos liberados pelo relator.

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Em despacho assinado no âmbito da PET 16.704, Mendonça classificou como “imprestável” a tabela de inconsistências apresentada por Moraes e argumentou que a divergência de 180 documentos decorre do funcionamento técnico do sistema eletrônico do tribunal e de transferências de peças entre processos autônomos, e não de retenção deliberada de provas.

Fachin acolheu o pedido e determinou a ampliação do acesso aos autos. A PGR havia feito solicitação semelhante, alegando que procedimentos relacionados à Operação Compliance Zero não constavam da relação inicialmente disponibilizada.

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A explicação técnica de Mendonça mostra que Moraes desconhece ou ignorou o funcionamento do sistema do STF

Em sua resposta, André Mendonça argumentou que Moraes cometeu um equívoco ao interpretar os dados exibidos pela plataforma digital da Corte. O relator detalhou três razões procedimentais e tecnológicas que explicam a desconformidade numérica:

  1. Traslado e desentranhamento de peças: Documentos são frequentemente transferidos para outros procedimentos devido à autonomia temática ou à necessidade de ritos específicos. Como exemplo, Mendonça citou a PET 16.662, autuada a partir do desentranhamento de documentos originalmente encartados na PET 15.556, movimento devidamente registrado em certidões da Secretaria Judiciária (SEJ).
  2. Peças administrativas e internas: O sistema contabiliza rotineiramente comunicações processuais internas, como ofícios expedidos e mandados cumpridos, que não constituem peças de instrução probatória aberta ao público.
  3. Dinâmica do sistema STF Digital: O ministro incluiu capturas de tela do sistema para demonstrar que a ferramenta gera contagens conflitantes. Ele exemplificou com a PET 15198, em que a interface aponta 1.075 peças no cabeçalho, exibe como última peça disponível o e-Doc 1073 e, ao clicar em “selecionar todas”, contabiliza apenas 1.042 itens.

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Com base nesses elementos, Mendonça afirmou categoricamente que “todas as peças efetivamente disponíveis foram devidamente publicizadas”.

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A ressalva que importa

A decisão não determina publicidade irrestrita de qualquer informação.

Fachin estabeleceu que podem permanecer sob sigilo as diligências em andamento ou ainda não realizadas quando sua divulgação puder comprometer a investigação.

Mendonça esclareceu ainda que a determinação do presidente Edson Fachin previa expressamente a manutenção do segredo de justiça sobre diligências cujo sigilo fosse indispensável para investigações em andamento e para a proteção de dados bancários e fiscais sensíveis de dezenas de pessoas físicas e jurídicas.

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Lucy Costa
Lucy Costa
Jornalista especializada em finanças e estatística. Você gosta de meus conteúdos? Entre em contato; email: [email protected]
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