O ex-ministro da Economia Paulo Guedes fez um alerta direto ao mercado: o Brasil já está gastando mais do que durante a pandemia — sem estar em crise. Para ele, o país entrou em um perigoso ciclo de “fiscal pandêmico sem pandemia”, com potencial de empurrar juros para cima, travar investimentos e levar a dívida pública a níveis críticos nos próximos anos.
Durante palestra nesta sexta-feira (17), em São Paulo, Guedes defendeu o legado de sua gestão, destacando que encerrou o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro com o DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral) em 71,7% do PIB, ao final de 2022.
Guedes fez um duro, porém verdadeiro, diagnóstico da atual política fiscal brasileira e afirmou que o país abandonou o ciclo de disciplina orçamentária para entrar em um modelo de gastos elevados sem justificativa emergencial. Em tom crítico, ele classificou o cenário como um “fiscal pandêmico sem pandemia”, sugerindo que o nível de despesas públicas já supera o período mais crítico da crise sanitária de 2020.
A declaração foi feita durante palestra em São Paulo, nesta sexta-feira (17), onde Guedes também defendeu o legado de sua gestão no governo Jair Bolsonaro.
Dívida pública na gestão Lula sobe e reacende alerta fiscal
Guedes destacou que encerrou sua passagem pelo Ministério com a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) em 71,7% do PIB em 2022. Desde então, os números voltaram a subir:
- Segundo dados do Banco Central do Brasil, a trajetória recente da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) mostra uma reversão após a queda no pós-pandemia:
- 2020: 86,9% do PIB
- 2021: 77,3% do PIB
- 2022: 71,7% do PIB
- 2023: ~73,8% do PIB ( com Lula 3)
- 2024: ~76,1% do PIB
- 2025: ~78% do PIB (estimativas/fechamento de mercado)
- 2026 (fev): 79,2% do PIB
- Ou seja: a dívida voltou a subir de forma consistente desde 2023.
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Os dados são do Banco Central do Brasil e refletem, segundo ele, uma mudança clara de direção na política econômica sob o governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Para o ex-ministro, o país trocou uma política fiscal sólida por um modelo expansionista que pressiona juros e compromete o crescimento.
Após atingir mínima recente em 2022, a dívida pública brasileira voltou a subir ano após ano. Dados do Banco Central do Brasil mostram que a DBGG saiu de 71,7% do PIB para cerca de 79,2% em 2026, consolidando uma trajetória de alta iniciada em 2023 com a gestão de Lula.
O movimento reforça o alerta de Paulo Guedes de que o país pode estar entrando em um novo ciclo de deterioração fiscal — com impacto direto sobre juros, investimento e crescimento.
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“Fiscal frouxo puxa juros para cima”
Guedes reforçou a tese de que há uma relação direta entre disciplina fiscal e estabilidade econômica:
“Quando o fiscal é forte, a moeda é suave e os juros são baixos. Quando o fiscal fica frouxo, o freio monetário é acionado.”
Na prática, ele argumenta que o aumento dos gastos públicos força o Banco Central a manter juros elevados para conter a inflação — o que impacta toda a economia. Mesmo disci=urso aplicado nas atas do Copom que tem mantido a taxa básica de juros Selic próximo da máxima histórica.
Segundo Guedes, esse ciclo gera efeitos em cadeia:
- queda do investimento privado
- crédito mais caro
- retração do consumo
- enfraquecimento de novos setores produtivos
“Os juros vão lá em cima e começam a destruir tudo. Começa a estraçalhar uma indústria nova que estava surgindo.”
Projeções indicam risco de escalada da dívida
O cenário futuro também preocupa. O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027 prevê que a dívida pública continue subindo e atinja seu pico em 2029, chegando a 87,8% do PIB.
Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) vai além: o organismo projeta que o Brasil pode atingir 100% do PIB em dívida já no início do próximo governo, caso a trajetória atual seja mantida.
Já na metodologia do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil já terá a dívida pública em 100% do PIB no próximo ano 2027.
Veja comparativo do FMI abaixo:

Crescimento travado e meta de 3% ao ano
Guedes defende que o Brasil só conseguirá crescer de forma consistente acima de 3% ao ano se houver um retorno ao equilíbrio fiscal.
Na visão dele, o tripé é claro:
- ajuste fiscal sólido
- juros estruturalmente mais baixos
- ambiente favorável ao investimento
Sem isso, o país ficaria preso em ciclos de crescimento baixo e instabilidade.
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Eleições 2026: Guedes volta ao radar político
O nome de Guedes voltou ao centro do debate político após declarações do senador Flávio Bolsonaro, que sinalizou continuidade da agenda econômica liberal em uma eventual candidatura à Presidência.
Durante evento recente, Flávio afirmou que não vê necessidade de antecipar nomes para a equipe econômica, mas deixou claro o alinhamento:
“Todo mundo sabe que vou dar continuidade ao que o Paulo Guedes começou.”
Apesar disso, o próprio Guedes descartou qualquer retorno à política:
“Não há a menor chance. Não estou concorrendo nem a vereador.”
Leitura de mercado: sinal de tensão fiscal crescente
As falas de Guedes reforçam uma preocupação já presente entre analistas: o Brasil pode estar entrando em um novo ciclo de deterioração fiscal, com impacto direto sobre:
- juros futuros
- câmbio
- investimentos
- percepção de risco
A combinação de dívida crescente e gastos elevados sem contrapartida clara tende a manter o país sob vigilância constante de investidores e organismos internacionais.
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A crítica de Paulo Guedes vai além de uma disputa política — ela toca em um ponto sensível da economia brasileira: o limite do gasto público e seus efeitos estruturais.
Se confirmadas as projeções de alta da dívida, o debate fiscal deve dominar o cenário econômico e eleitoral nos próximos anos, definindo não apenas o rumo das contas públicas, mas também o potencial de crescimento do país.



