PF encontra WhatsApp em que esposa de Moraes envia minuta de contrato de R$ 131,2 milhões a Vorcaro do Banco Master

Mensagens extraídas do celular do banqueiro mostram envio de minuta antes da formalização do acordo com o Banco Master; registros fiscais e apurações da PF indicam execução do contrato e pagamentos superiores a R$ 80 milhões.

Mensagens de WhatsApp obtidas pela Polícia Federal mostram que Viviane Barci de Moraes enviou ao banqueiro Daniel Vorcaro a minuta de um contrato de honorários no valor de R$ 131,2 milhões antes da assinatura do acordo com o Banco Master.

No diálogo, a advogada encaminha o documento e, dias depois, o executivo responde perguntando como deveria ser feita a formalização, por meio eletrônico ou físico. A troca de mensagens integra o material apreendido pela PF no celular de Vorcaro e registra o momento imediatamente anterior à contratação.

A advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, enviou pelo WhatsApp ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, a minuta de um contrato de R$ 131,2 milhões em honorários advocatícios. O documento foi encaminhado em 17 janeiro de 2024 (4ª feira), às 10h09, segundo os jornalistas Felipe de Paula, Aguirre Talento e Fausto Macedo, do Estadão.

Um fato que chama a atenção é que em escritórios de advocacia são os funcionários de departamentos que realizam estes trâmites. Neste caso a dona do escritório e esposa de Moraes manda por Whatsapp o contrato direto ao dono do Banco Master e não ao seu departamento jurídico. E nem mesmo existe nenhuma orientação comum quando se trata de contratos como por exemplo: verificação de cláusulas do contrato.

Resumo executivo

O contrato de honorários de R$ 131,2 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, voltou ao centro das atenções após a divulgação de mensagens de WhatsApp obtidas pela Polícia Federal.

O material integra o conjunto de dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro durante a Operação Compliance Zero e reforça a cronologia já conhecida da relação contratual, que inclui assinatura do acordo, execução de serviços e pagamentos registrados em documentos fiscais e contábeis do banco.

As novas mensagens acrescentam um elemento inédito: a etapa inicial da negociação, com o envio direto da minuta contratual antes da formalização do vínculo entre as partes.

A nova peça da investigação

As mensagens foram extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro, apreendido em novembro de 2025 durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.

No conteúdo divulgado, Viviane Barci de Moraes escreve: “Bom dia! Segue a minuta do contrato. Abraço”.

Em seguida, Vorcaro responde: “Como podemos proceder na assinatura? Prefere eletronicamente ou mando as vias físicas assinadas?”.

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O diálogo documenta a fase de negociação do contrato que posteriormente foi formalizado entre as partes.

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Contexto do contrato de R$ 131,2 milhões

O acordo entre o Banco Master e o escritório da advogada já havia sido revelado anteriormente a partir de documentos fiscais e informações obtidas pela Polícia Federal.

Segundo esses registros, o contrato teria resultado em pagamentos superiores a R$ 80 milhões ao longo de sua execução, com recolhimento de tributos e lançamento contábil na instituição financeira.

O Banco Master era controlado por Daniel Vorcaro durante o período em que os serviços foram prestados.

Em março de 2025, Viviane alegou que a consultoria prestada ao Master teve como foco a implementação de mecanismos de compliance e na revisão do código de ética e conduta da instituição.

Pelo contrato firmado em janeiro de 2024, o escritório Barci de Moraes Associados receberia R$ 3,6 milhões mensais ao longo de 3 anos pela prestação de serviços jurídicos ao Banco Master. Caso o contrato tivesse sido cumprido integralmente, os honorários totalizariam R$ 131.275.071,72 até o início de 2027.

A Receita Federal registrou pagamentos de R$ 80,2 milhões do Master ao escritório de Viviane ao longo de 2024 e 2025. Os pagamentos foram interrompidos com a liquidação do Banco Master. O valor de R$ 80 milhões já havia sido antecipado por este Portal, a partir de detalhes do contrato entre Viviane e o Banco Master.

O contrato entre a advogada e o Master nunca foi divulgado na íntegra. Dados parciais foram publicados pela jornalista Malu Gaspar em 9 de dezembro. A assinatura do contrato antecedeu a representação dos interesses da instituição junto ao Banco Central, à Receita Federal e ao Congresso Nacional.

Agora, o escritório dela destaca que não comenta sobre tratativas envolvendo clientes. As informações são do Blog do Fausto Macedo, do Estadão.

mensagem do contrato da esposa de moraes e vorcaro do banco master
Mensagem de esposa de Moraes do STF e Vorcaro, Divulgação: PF

O que a minuta acrescenta

A minuta enviada por WhatsApp amplia o entendimento sobre o escopo inicialmente previsto para a contratação.

O documento menciona atuação jurídica voltada à defesa dos interesses do banco perante o Banco Central, a Receita Federal e o Congresso Nacional, indicando uma dimensão institucional mais ampla do que descrições públicas anteriores, que enfatizavam atividades de compliance e governança.

Rede de relações entre Alexandre de Moraes, Viviane Barci e Daniel Vorcaro

As investigações baseadas em dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro apontam uma sequência de interações entre o empresário, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e a advogada Viviane Barci de Moraes ao longo de 2024 e 2025. Entre os elementos já reportados pela imprensa estão registros de participação conjunta em eventos no exterior, incluindo um fórum jurídico em Londres em abril de 2024, que contou com a presença de autoridades brasileiras e foi financiado por estruturas ligadas ao Banco Master.

Nesse mesmo contexto, Vorcaro teria promovido encontros sociais e institucionais com integrantes do meio jurídico e político durante o período de expansão do banco, incluindo eventos privados de relacionamento institucional, nos quais também teriam participado autoridades do Judiciário e do Ministério Público.

Outro eixo citado na cobertura jornalística envolve deslocamentos em aeronaves executivas vinculadas a empresas associadas ao empresário. Levantamentos com base em dados de aviação civil apontam ao menos oito viagens realizadas por Alexandre de Moraes e Viviane Barci em jatos ligados a estruturas empresariais relacionadas a Vorcaro entre maio e outubro de 2025, segundo reportagens baseadas em registros da Anac e do Decea.

Em paralelo, o Banco Master manteve relação contratual com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, com pagamentos registrados em documentos fiscais que ultrapassam dezenas de milhões de reais ao longo de 2024 e 2025, conforme dados encaminhados a autoridades e reportagens baseadas em registros da Receita Federal.

ABAIXO INFOGRÁFICO DE GASTOS BANCADOS PELO BANCO MASTER EM DESGUSTAÇÃO EM LONDRES:

Moraes, Vorcaro e Andrei degustaram Macallan juntos em Londres
Moraes, Vorcaro e Andrei degustaram Macallan juntos em Londres

Moraes no STF e Vorcaro do Banco Master

A divulgação de mensagens e registros obtidos pela Polícia Federal no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master ampliou o debate público sobre os critérios de suspeição e possíveis conflitos de interesse em relações entre agentes do sistema financeiro e integrantes de tribunais superiores. As reportagens citam interações, encontros e trocas de mensagens atribuídas a interlocutores ligados ao caso, a partir de dados extraídos de aparelhos apreendidos durante a investigação.

Parte dessas informações foi alvo de interpretações distintas no meio jurídico e de contestações institucionais sobre a leitura de registros brutos e a identificação de determinados contatos associados ao Supremo Tribunal Federal. Nesse contexto, não há consenso entre juristas: enquanto alguns defendem que determinados vínculos podem justificar análise mais rigorosa de suspeição em casos concretos, outros ressaltam que relações indiretas, sociais ou institucionais não configuram, por si só, impedimento automático de magistrados.

O entendimento predominante na doutrina e na prática judicial é de que hipóteses de impedimento ou suspeição devem ser avaliadas caso a caso, vinculadas a processos específicos e à demonstração de impacto direto na imparcialidade. Até o momento, não há decisão judicial que determine afastamento relacionado ao conjunto das apurações.

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Cronologia do caso

O que muda com as mensagens

A principal novidade está na reconstrução da fase inicial da negociação, agora documentada por mensagens privadas.

O material permite consolidar uma linha do tempo mais completa entre:

  • envio da proposta contratual
  • negociação entre as partes
  • formalização do contrato
  • execução financeira já registrada em documentos fiscais

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Eixos de investigação envolvendo Daniel Vorcaro, núcleo familiar e alegações de ocultação patrimonial

As investigações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero e relatórios encaminhados ao Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro André Mendonça apontam diferentes frentes de apuração envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, seu pai, Henrique Moura Vorcaro, e integrantes do seu entorno familiar e operacional. O caso passou a ser estruturado em núcleos investigativos distintos, a partir de elementos extraídos de quebras de sigilo, relatórios do Coaf e dados obtidos em celulares apreendidos.

O primeiro eixo envolve o próprio Daniel Vorcaro, investigado por suspeitas de fraudes financeiras, estruturação de operações de crédito sem lastro adequado, movimentações consideradas atípicas no sistema financeiro e eventual participação em um esquema de captação e redistribuição de recursos por meio de estruturas societárias vinculadas ao Banco Master. Em decisões judiciais e relatórios da PF citados no processo, também são mencionados indícios de tentativa de ocultação de patrimônio e reorganização de ativos após o agravamento das investigações.

O segundo eixo recai sobre membros do núcleo familiar, incluindo Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro, e outros parentes próximos, apontados em decisões do STF como integrantes de um grupo investigado por possível auxílio em movimentações financeiras e estruturação patrimonial vinculada ao investigado principal. Em decisão recente, a Segunda Turma do Supremo manteve medidas cautelares e prisões preventivas relacionadas a esse núcleo familiar no contexto da operação, sob relatoria de André Mendonça.

O terceiro eixo investigativo trata de estruturas operacionais descritas pela PF como redes de apoio financeiro e societário, incluindo empresas e intermediários ligados ao entorno do ex-controlador, com apuração de possíveis fluxos de recursos destinados à ocultação de patrimônio e reorganização de ativos. Relatórios também mencionam a existência de um núcleo operacional interno, responsável por movimentações financeiras e articulação entre diferentes camadas do grupo econômico, com foco na preservação e circulação de capital em meio ao avanço das investigações.

Em paralelo, o conjunto de elementos reunidos pela investigação levou o Supremo Tribunal Federal a analisar medidas cautelares e pedidos de manutenção de prisões no âmbito da operação, com decisões sucessivas da relatoria de André Mendonça e revisão por turmas da Corte. Até o momento, não há sentença definitiva sobre responsabilidade penal dos investigados, mas o caso é tratado pelas autoridades como um dos principais desdobramentos recentes envolvendo supostas fraudes no sistema financeiro brasileiro.

Banco Master e Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro dono do Master. Imagem: Divulgação

Núcleo de intimidação, vigilância e obstrução investigado pela PF

As investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero identificaram a existência de uma estrutura paralela descrita nos autos como um núcleo de “intimidação e obstrução”, associado ao entorno do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo decisões judiciais e relatórios citados pela imprensa, esse grupo — apelidado de “A Turma” — teria atuado na coleta clandestina de informações, monitoramento de alvos e pressão sobre pessoas consideradas sensíveis para os interesses do núcleo investigado.

Dentro dessa estrutura, a PF aponta a atuação de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, descrito como responsável por ações operacionais de campo, incluindo intimidação direta e coordenação de terceiros em tarefas de vigilância e coerção. Em diferentes fases da investigação, também foram citados operadores com histórico ligado a segurança privada, agentes públicos e intermediários, compondo uma rede informal de execução e apoio logístico ao grupo.

O pai do ex-banqueiro, Henrique Moura Vorcaro, aparece em decisões judiciais como alvo de medidas no contexto da operação, dentro do mesmo conjunto investigado que envolve estruturas financeiras e patrimoniais associadas ao Banco Master. A PF descreve a atuação desses núcleos como parte de uma engrenagem mais ampla, que combinaria interesses financeiros, proteção de informações estratégicas e ações de contenção de riscos reputacionais e investigativos.

Por que isso importa

O caso passa a ser sustentado por uma cadeia documental mais ampla, que conecta negociação, contratação e execução financeira.

Embora não haja, até o momento, decisão judicial sobre irregularidades na contratação, o conjunto de evidências amplia o nível de escrutínio sobre a relação entre o Banco Master e o escritório jurídico envolvido.

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Lucy Costa
Lucy Costa
Jornalista especializada em finanças e estatística. Você gosta de meus conteúdos? Entre em contato; email: [email protected]
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