A nova pesquisa Ipsos-Ipec de junho de 2026 indica um cenário de desgaste persistente na avaliação do governo federal na gestão Lula, com desaprovação majoritária e predominância de percepções negativas tanto sobre a gestão quanto sobre a confiança no presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Mais do que uma oscilação estatística, os números sugerem um quadro de estabilidade com viés negativo consolidado, especialmente em um ambiente econômico ainda marcado por juros elevados, incertezas fiscais e crescimento moderado.
Avaliação do governo Lula segue com predominância negativa
Na avaliação geral da gestão federal, o levantamento aponta:
- 38% consideram o governo ruim ou péssimo
- 32% avaliam como ótimo ou bom
- 28% classificam como regular
- 2% não sabem ou não responderam
O resultado mostra um cenário de divisão, mas com vantagem para a percepção negativa, ainda que sem ruptura brusca em relação a rodadas anteriores.
Desaprovação supera aprovação no conjunto da população
Quando o recorte é a aprovação direta da forma de governar, o quadro se mantém desfavorável:
- 50% desaprovam o governo Lula
- 44% aprovam
- 6% não sabem ou não responderam
A diferença de seis pontos percentuais indica um ambiente de leve deterioração da confiança política, ainda que dentro de um padrão de estabilidade relativa.
Confiança no presidente Lula segue majoritariamente negativa
O dado mais sensível do levantamento está na confiança pessoal no presidente:
- 56% dizem não confiar em Lula
- 41% dizem confiar
- 3% não sabem ou não responderam
Esse indicador é especialmente relevante porque costuma funcionar como variável antecedente de expectativas econômicas e políticas, influenciando decisões de consumo, investimento e percepção de risco.
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Contexto político e ciclo eleitoral
O cenário capturado pela Ipsos-Ipec também ganha relevância quando observado sob a ótica do ciclo político. Ao longo dos últimos anos, o governo federal ampliou o uso de políticas de transferência de renda e ampliação de benefícios sociais como instrumento de sustentação de demanda e proteção social, em um ambiente de pressão sobre o custo de vida e maior sensibilidade das famílias de baixa renda.
Esse tipo de estratégia tem efeito direto na economia real no curto prazo, ao sustentar consumo e reduzir a volatilidade social em períodos de crescimento mais fraco. No entanto, seus impactos sobre percepção política nem sempre são lineares, especialmente quando coexistem com avaliação negativa em áreas como inflação percebida, segurança pública e confiança institucional.
O dado atual da pesquisa sugere justamente essa dissociação parcial: mesmo com manutenção de políticas de apoio e renda, a percepção geral do governo segue dividida, com desaprovação ligeiramente predominante e desconfiança majoritária em relação ao presidente.

Proximidade do ciclo eleitoral aumenta sensibilidade do cenário
Com a aproximação do ciclo eleitoral de 2026, esse tipo de fotografia ganha peso adicional. Em momentos eleitorais, a elasticidade da opinião pública tende a aumentar, mas a base de confiança acumulada funciona como ponto de partida do processo.
Nesse contexto, dois vetores passam a disputar centralidade:
- efeito de políticas de renda e estímulo econômico, que tende a sustentar aprovação em segmentos específicos
- percepção estrutural de economia, segurança e confiança institucional, que tende a pesar de forma mais ampla e duradoura
O ponto de tensão: curto prazo vs. estrutura fiscal
O debate econômico que muito brasileiros já entenderam é que o problema não está no papel social dessas políticas, mas no timing eleitoral, fazer agora o que não fez em quase quatro anos, e seu efeito acumulado sobre a estrutura fiscal e a composição do gasto público, que acaba impactando o brasileiro de baixa renda, ou classe média.
Quando a expansão de transferências ocorre em paralelo a:
- crescimento limitado da produtividade
- rigidez elevada do orçamento público por arrecadação de impostos recorde, mas excesso de gastos
- e necessidade de manutenção de juros altos para controle inflacionário
o resultado tende a ser um orçamento mais pressionado e menos flexível para investimentos de longo prazo, especialmente em infraestrutura, educação produtiva, segurança pública e eficiência do Estado.
Leitura econômica: confiança como variável de restrição
Embora a pesquisa não seja um indicador econômico direto, seus resultados dialogam com o ambiente macroeconômico brasileiro, caracterizado por:
- juros muito elevados em termos reais
- preocupação fiscal recorrente
- crescimento moderado e desigual entre setores
- sensibilidade elevada a choques de confiança
Nesse contexto, a combinação de desaprovação majoritária e baixa confiança pessoal no presidente Lula tende a reforçar um comportamento mais cauteloso de agentes econômicos.
Efeito sobre expectativas e tomada de decisão
Em economias emergentes, a confiança política atua como variável de segunda ordem, mas com impacto direto sobre:
- disposição de investimento de longo prazo
- custo de capital exigido por investidores
- decisões de consumo de bens duráveis
- percepção de risco regulatório e institucional
Quando esse vetor permanece negativo por períodos prolongados, ele tende a se refletir em menor dinamismo econômico, independentemente de oscilações pontuais de indicadores.
Um quadro de estabilidade na desaprovação com viés negativo
O principal sinal do levantamento não é uma mudança abrupta, mas a persistência de um padrão estável de avaliação negativa, com três características centrais:
- desaprovação superior à aprovação
- confiança pessoal majoritariamente negativa
- avaliação do governo dividida, mas com leve predominância de rejeição
Esse tipo de configuração costuma indicar não uma crise aguda, mas um desgaste acumulado de percepção, que tende a ser mais resistente a mudanças no curto prazo.
A pesquisa Ipsos-Ipec de junho de 2026 reforça um cenário em que o governo Lula enfrenta desafio contínuo de reconstrução de confiança sem entregas concretas, tanto na figura do presidente quanto na avaliação geral da gestão.
Com 50% de desaprovação e 56% de desconfiança no presidente, o quadro sugere que o principal obstáculo não está apenas na percepção de resultados econômicos, mas na consolidação de expectativas mais positivas sobre a trajetória do país.







