O imbróglio financeiro envolvendo o Banco Master ganhou um novo capítulo no dia 18 de fevereiro de 2026, ao ser decretada a liquidação extrajudicial do Banco Pleno pelo Banco Central. Com isso, a conta acumulada para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade privada que assegura depósitos e títulos de crédito de investidores até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição, pode atingir aproximadamente R$ 58 bilhões — um patamar sem precedentes na história recente do mercado financeiro brasileiro.
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Os R$ 58 bilhões estimados combinam três fatores principais:
A linha de liquidez concedida pelo FGC ao Banco Master em 2025 durante os primeiros sinais de crise;
Os pagamentos de garantias já realizados e a liquidificação do próprio Banco Master e de instituições ligadas ao conglomerado do banqueiro Daniel Vorcaro — como Will Bank;
O acréscimo de R$ 4,9 bilhões referentes aos depósitos cobertos no Banco Pleno, que tinha cerca de 160 mil credores elegíveis à cobertura do FGC mesmo após sua mudança de controle formal.
Até o momento, o FGC já desembolsou mais de R$ 37 bilhões em garantias a investidores do Banco Master e de instituições associadas, alcançando aproximadamente 92 % do volume total previsto para pagamento — com cerca de 84 % dos beneficiários elegíveis já ressarcidos. Somado a isso, Will Bank também teve pagamentos em andamento, totalizando bilhões de reais em garantias honradas.
Pressão financeira sobre o fundo e resposta do setor
O impacto financeiro do caso expõe um choque para o FGC, cuja função é atuar como um seguro coletivo para a confiança no sistema bancário. A magnitude dos valores envolvidos — a soma de linhas de liquidez e resgates efetivos — representa uma fatia significativa dos recursos do fundo, historicamente usado em crises muito menores.
Diante desse cenário, o conselho do FGC já aprovou um plano emergencial para recompor liquidez:
adiantamento de até sete anos de contribuições ao fundo por instituições financeiras associadas (incluindo parcelas imediatas e adicionais em 2027 e 2028);
e aumento extraordinário das contribuições mensais, possivelmente entre 30 % e 60 % por um período mínimo de cinco anos.
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Essas medidas visam assegurar que o fundo mantenha um colchão de recursos compatível com o risco atual, evitando um esgotamento que poderia abalar a confiança em garantias bancárias e elevar o custo de proteção de depósitos em todo o sistema.
Relevância regulatória e lições para o mercado
O caso Master ilumina fragilidades tanto na gestão de riscos internos de instituições financeiras quanto nas políticas de supervisão e no desenho do seguro de depósitos no Brasil. A combinação de crescimento acelerado por meio de captação de títulos de alto retorno, práticas de risco questionáveis e a dependência de garantias do FGC culminou num impacto que obrigou o setor a reavaliar não apenas a estrutura das instituições afetadas, mas também os mecanismos que sustentam a estabilidade do sistema financeiro — especialmente em contextos de expansão de bancos menores e plataformas de distribuição digital.
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A magnitude dos valores mobilizados, as reações do mercado financeiro e a resposta regulatória continuam a ser observadas de perto por investidores, bancos e analistas, com reflexos potenciais sobre o custo de captação e o próprio funcionamento das garantias do sistema bancário brasileiro.



