Sócios de fintech investigada por R$ 900 milhões são soltos; mais de 3 mil investidores seguem à espera do dinheiro

Justiça determina libertação de três ex-sócios da fintech investigada após suspensão de pagamentos a mais de 3 mil investidores; bloqueios patrimoniais e medidas contra a empresa continuam

A Justiça do Distrito Federal determinou a soltura dos três ex-sócios da Naskar Gestão Ltda., fintech investigada em um caso que envolve aproximadamente R$ 900 milhões e mais de 3 mil investidores. Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato estavam presos preventivamente em São Paulo desde agosto.

A decisão não encerra a investigação e tampouco representa absolvição dos investigados. O que mudou foi o regime de custódia: após a conclusão da fase formal da apuração policial e a apreensão de documentos e equipamentos considerados relevantes, o magistrado entendeu que não permaneciam, naquele momento, fundamentos suficientes para manter os três presos preventivamente.

O caso, porém, continua aberto — e a principal questão para os investidores permanece sem resposta definitiva: qual é o destino dos recursos e quanto dos aproximadamente R$ 900 milhões poderá ser recuperado?

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O que levou a fintech Naskar ao centro da investigação

A Naskar atuava havia cerca de 13 anos e oferecia aos investidores uma remuneração anunciada de aproximadamente 2% ao mês.

O modelo entrou em crise em maio de 2026, quando os repasses aos investidores foram suspensos. A interrupção desencadeou uma onda de reclamações e levou as autoridades a investigar a movimentação dos recursos e a situação patrimonial da empresa.

A dimensão do caso é o que chama atenção no mercado financeiro: não se trata apenas de uma empresa que deixou de honrar pagamentos. A investigação alcança uma estrutura que, segundo as informações apresentadas no processo, envolveu milhares de investidores e centenas de milhões de reais.

É justamente essa diferença que torna a localização dos ativos e a reconstrução do fluxo financeiro elementos centrais da apuração.

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Por que a Justiça decidiu soltar os três

O fundamento da decisão está diretamente relacionado ao estágio da investigação.

Segundo o despacho judicial, as autoridades já haviam cumprido medidas de busca e apreensão e recolhido celulares, notebooks, documentos fiscais e outros elementos considerados relevantes para a apuração. O material permanece sob custódia do Estado.

O magistrado também registrou não ter identificado, naquele momento, indícios de que os investigados estivessem tentando fugir, coagindo testemunhas ou interferindo na produção das provas.

Com a fase formal da investigação policial considerada encerrada, a prisão preventiva deixou de ser vista como necessária. Em seu lugar, foram impostas oito medidas cautelares.

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Fintech colapso. Imagem: Investidores Brasil

Os investigados deverão cumprir, entre outras obrigações, recolhimento domiciliar noturno, entrega dos passaportes, proibição de deixar a comarca e impedimento de contato com vítimas ou testemunhas relacionadas ao processo.

A lógica da decisão é objetiva: os investigados podem responder em liberdade, mas permanecem submetidos a restrições destinadas a impedir interferências no processo.

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Soltura não libera patrimônio nem encerra o caso

Esse é um dos pontos mais importantes da decisão.

Ser solto não significa que os investigados foram inocentados, nem que os bloqueios patrimoniais foram suspensos.

As medidas determinadas anteriormente contra o patrimônio dos envolvidos e as restrições relacionadas às operações da empresa continuam válidas.

Na prática, portanto, a Justiça separou duas questões: a necessidade de manter os investigados presos e a necessidade de preservar os ativos e as provas relacionados à investigação.

A primeira deixou de existir, na avaliação do magistrado. A segunda permanece.

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Defesa havia recorrido ao STJ

A cronologia também ajuda a entender uma aparente contradição no caso.

Dias antes da soltura, a defesa dos três havia recorrido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar derrubar a prisão. O pedido liminar foi negado pelo relator.

O ministro entendeu que o STJ não poderia analisar a questão naquele momento porque ainda não havia ato de tribunal sujeito à jurisdição da Corte que pudesse ser questionado por meio daquele recurso.

A decisão posterior da Justiça do Distrito Federal ocorreu em outro contexto processual: com o avanço da investigação e a avaliação de que a fase policial havia sido formalmente encerrada, o próprio juízo responsável pelo caso reavaliou a necessidade da prisão.

Por isso, a negativa anterior do STJ e a posterior soltura não significam, necessariamente, decisões incompatíveis.

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A pergunta que permanece: onde estão os R$ 900 milhões?

Para os investidores, a questão mais importante agora não é apenas a situação prisional dos ex-sócios.

É o patrimônio.

Se o caso envolve aproximadamente R$ 900 milhões e mais de 3 mil investidores, a recuperação dos recursos dependerá da identificação dos ativos, da reconstrução das operações financeiras e das decisões judiciais sobre eventuais responsabilidades.

Os bloqueios patrimoniais mantidos pela Justiça ganham, nesse contexto, importância decisiva. Eles podem representar uma das principais ferramentas para preservar recursos enquanto a investigação avança e, posteriormente, viabilizar eventual ressarcimento, caso sejam reconhecidos judicialmente os direitos dos investidores.

Mas o tamanho nominal do caso não significa que todo o valor esteja necessariamente disponível para recuperação. É justamente esse diagnóstico que a investigação precisa esclarecer.

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O que acontece agora

Com a soltura, os três ex-sócios passam a acompanhar o processo em liberdade, submetidos às cautelares determinadas pela Justiça.

A investigação, por sua vez, continua produzindo consequências patrimoniais e processuais. Os equipamentos e documentos apreendidos serão analisados pelas autoridades, enquanto os bloqueios e as restrições contra a empresa permanecem.

O próximo capítulo será determinado pela análise desse material e pela capacidade das autoridades de reconstruir o caminho percorrido pelos recursos.

Até lá, o caso Naskar permanece marcado por três números que dimensionam sua gravidade financeira: mais de 3 mil investidores, aproximadamente R$ 900 milhões envolvidos e uma empresa que interrompeu os pagamentos depois de anos oferecendo rentabilidade mensal aos clientes.

A libertação dos três investigados muda a situação prisional do caso, mas não responde à principal questão patrimonial: quanto dinheiro existe, onde ele está e quanto poderá efetivamente retornar aos investidores.

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Apresentadora de podcast e redatora. Especialista em finanças pela PUC Minas
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