Roxinho transforma escala em rentabilidade, alcança ROE de 33% e leva carteira de crédito a US$ 39,4 bilhões; mercado agora terá de avaliar se o crescimento do lucro consegue superar os riscos de crédito
Resumo executivo: O Nubank (ROXO34) ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 1 bilhão de lucro líquido trimestral. A Nu Holdings registrou US$ 1,061 bilhão no segundo trimestre de 2026, alta de 49% em relação ao mesmo período do ano anterior, em base neutra de câmbio. O resultado veio acima das expectativas e foi acompanhado por receita de US$ 5,88 bilhões, ROE de 33% e carteira de crédito de US$ 39,4 bilhões. Ao mesmo tempo, a inadimplência acima de 90 dias avançou para 6,9%, enquanto o custo de crédito caiu 9% no trimestre, mas permaneceu 60% acima do nível de um ano antes.
O Nubank (ROXO34) acaba de atravessar uma fronteira que muda a dimensão da sua história no mercado financeiro.
A Nu Holdings, controladora do Nubank, registrou US$ 1,061 bilhão de lucro líquido no segundo trimestre de 2026, tornando-se a primeira vez em que o banco digital supera US$ 1 bilhão de resultado em apenas três meses.
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O lucro avançou 49% na comparação anual, em base neutra de câmbio, e superou a estimativa de US$ 967,2 milhões compilada pela Visible Alpha. Após a divulgação, as ações da companhia negociadas em Nova York chegaram a subir cerca de 9% no after-market.
Mais do que um novo recorde, o resultado representa uma mudança de estágio.
O Nubank já não precisa convencer o mercado de que consegue crescer. Agora precisa provar que consegue transformar esse crescimento em rentabilidade sustentável.
E o segundo trimestre trouxe sinais fortes nessa direção.
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O número que muda a discussão sobre o Nubank
O lucro de US$ 1,061 bilhão chama atenção, mas não é o único número relevante do balanço.
O ROE, retorno sobre o patrimônio líquido, chegou a 33%, mostrando a capacidade da instituição de gerar resultado sobre o capital empregado.
Esse indicador ajuda a entender por que a tese do Nubank mudou.
Durante anos, a discussão sobre a fintech esteve concentrada na capacidade de conquistar clientes, ampliar produtos e ganhar participação dos bancos tradicionais.
Agora, o mercado começa a analisar uma questão diferente:
quanto valor o Nubank consegue extrair da gigantesca base de clientes que construiu?
A resposta apresentada no segundo trimestre foi expressiva.
A companhia adicionou aproximadamente 4 milhões de clientes no período e encerrou junho com 138,9 milhões de clientes globalmente, praticamente 118 milhões deles no Brasil.
O banco também ultrapassou 16 milhões de clientes no México em julho e superou 5 milhões na Colômbia.
Escala, portanto, deixou de ser o problema.
O desafio passou a ser monetização.
Receita dispara e carteira de crédito acelera
A receita líquida do Nubank chegou a US$ 5,88 bilhões, crescimento de 39% em relação ao segundo trimestre de 2025 e acima dos US$ 5,60 bilhões esperados pelo mercado.
A receita financeira líquida de juros também avançou, impulsionada pela expansão da carteira e pela melhora da margem financeira ajustada ao risco.
O portfólio de crédito alcançou US$ 39,4 bilhões, crescimento de 37% em 12 meses e de 5% em relação ao primeiro trimestre.
A composição mostra a dimensão que o Nubank atingiu como instituição financeira:
- US$ 26 bilhões em cartões de crédito;
- US$ 10,3 bilhões em crédito sem garantia;
- US$ 3,1 bilhões em crédito com garantia.
Esse crescimento é fundamental para a geração de receita.
Mas também coloca o crédito no centro da análise do investidor.
Quanto maior a carteira, maior é o potencial de lucro.
E, ao mesmo tempo, maior é a exposição a perdas caso a qualidade dos empréstimos se deteriore.
O crédito melhorou no trimestre, mas ainda exige atenção
É aqui que o balanço fica mais interessante.
O indicador de inadimplência de 15 a 90 dias caiu para 4,8%, ante 5% no primeiro trimestre.
O custo de crédito também recuou de US$ 1,79 bilhão para aproximadamente US$ 1,69 bilhão, queda de 9% no trimestre.
À primeira vista, é uma combinação positiva: carteira crescendo e custo de crédito recuando.
Mas existe uma ressalva importante.
Na comparação anual, o custo de crédito ainda está 60% maior.
Além disso, a inadimplência acima de 90 dias subiu 35 pontos-base, para 6,9%.
Segundo o Nubank, essa alta foi influenciada principalmente pela migração sazonal dos atrasos registrados no primeiro trimestre. A instituição também afirmou que vem expandindo deliberadamente sua atuação em segmentos de maior risco e maior retorno.
Isso transforma o indicador de crédito na principal variável a ser acompanhada nos próximos balanços.
O Nubank está apostando em clientes mais rentáveis
A estratégia da companhia não é mais simplesmente abrir contas.
O objetivo é fazer com que o cliente concentre cada vez mais operações dentro do Nubank.
A companhia terminou o trimestre com taxa mensal de atividade de aproximadamente 83,5%, enquanto o ARPAC — receita média mensal por cliente ativo — chegou a aproximadamente US$ 17.
Isso é particularmente importante porque uma base gigantesca de clientes só se transforma em vantagem competitiva quando consegue gerar receita recorrente.
O Nubank afirma que já atende a maior parte do segmento de massa no Brasil e é o principal banco de uma parcela significativa desses consumidores.
A estratégia, portanto, está mudando de aquisição para aprofundamento do relacionamento.
E essa mudança pode ser decisiva para o crescimento futuro.
México ganha importância na tese
O México começa a ocupar um espaço cada vez maior na estratégia internacional.
A companhia chegou a 15,8 milhões de clientes no país ao fim do segundo trimestre e atingiu 16 milhões em julho. O Nubank também lançou sua operação bancária no México e afirma ter se tornado o maior banco digital do país.
O potencial de monetização chama atenção.
O ARPAC mexicano está em aproximadamente US$ 12,3, enquanto o Brasil apresenta cerca de US$ 5,6 em estágio de penetração comparável, segundo os dados divulgados pela companhia.
Isso sugere que o mercado mexicano pode se tornar uma fonte relevante de crescimento de receita à medida que a base amadurece.
Mas existe uma questão que o investidor precisará acompanhar: crescimento internacional precisa gerar retorno, e não apenas aumentar a quantidade de clientes.
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A eficiência continua sendo uma vantagem competitiva
O modelo digital também aparece na estrutura de custos.
O índice de eficiência do Nubank ficou em 19,5% no segundo trimestre, embora tenha subido ante 17,6% no trimestre anterior.
A companhia atribuiu parte dessa evolução a despesas relacionadas a imóveis, marketing e investimentos na expansão internacional.
Mesmo assim, a estrutura operacional continua sendo uma das principais vantagens do modelo.
O Nubank consegue operar uma base de quase 139 milhões de clientes sem reproduzir a estrutura física tradicional dos grandes bancos.
É essa combinação de tecnologia, escala e baixo custo operacional que permite que uma parcela maior da receita seja convertida em resultado.
O verdadeiro teste para ROXO34 começa agora
O balanço do segundo trimestre praticamente encerra uma discussão que acompanhou o Nubank durante boa parte de sua trajetória.
A instituição conseguiu transformar crescimento em lucro.
O que está em debate agora é se esse lucro é sustentável.
Para o acionista de ROXO34, alguns indicadores devem ganhar prioridade nos próximos resultados:
1. Crescimento da carteira de crédito
O portfólio chegou a US$ 39,4 bilhões. O mercado precisará observar se a expansão continuará acelerada sem pressionar excessivamente as perdas.
2. Custo de crédito
O recuo trimestral é positivo, mas o crescimento de 60% em relação ao ano anterior ainda exige cautela.
3. Inadimplência acima de 90 dias
O indicador chegou a 6,9%. A trajetória desse número será importante para determinar se a expansão em segmentos de maior risco está sendo adequadamente precificada.
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4. ROE
O retorno sobre o patrimônio de 33% é um dos grandes destaques do balanço. A manutenção desse nível será fundamental para sustentar a tese de valorização.
5. Monetização
A evolução do ARPAC será tão importante quanto o crescimento da base de clientes.
6. México
O mercado mexicano pode representar uma nova avenida de crescimento, especialmente após a expansão da licença bancária e dos produtos disponíveis.
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O que o balanço realmente diz sobre o Nubank
O resultado do segundo trimestre mostra que o Nubank chegou a um estágio diferente de sua história.
A fintech que nasceu desafiando os bancos tradicionais agora apresenta US$ 1,061 bilhão de lucro trimestral, ROE de 33%, quase 139 milhões de clientes e uma carteira de crédito próxima de US$ 40 bilhões.
Isso coloca a companhia em uma posição na qual já não basta medir seu sucesso pela quantidade de clientes conquistados.
A pergunta agora é quanto cada cliente pode gerar de resultado — e quanto risco a instituição precisa assumir para capturar essa receita.
O segundo trimestre trouxe uma resposta favorável.
A receita cresceu, o lucro ultrapassou US$ 1 bilhão, o ROE permaneceu elevado e o custo de crédito caiu na comparação trimestral.
Mas o avanço anual do custo de crédito e a inadimplência acima de 90 dias mostram que o crescimento não vem sem risco.
Esse é o ponto central para o investidor.
O Nubank deixou de ser uma promessa de crescimento. Tornou-se uma máquina de geração de lucro. O próximo desafio será provar que consegue manter essa máquina acelerada sem deixar o risco de crédito tomar uma parcela cada vez maior do resultado.
Para o investidor
O resultado é claramente positivo para a tese operacional do Nubank, mas lucro recorde não significa automaticamente que ROXO34 esteja barato.
A avaliação da ação precisa considerar, além do crescimento dos resultados, o múltiplo pago pelo mercado, a capacidade de sustentar o ROE, a evolução das perdas de crédito e o retorno dos investimentos internacionais.
O balanço mostra uma empresa mais madura e rentável.
A cotação, porém, ainda precisa ser analisada separadamente.
Aviso ao investidor: este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de compra ou venda de ações. Antes de investir, considere seu perfil de risco, seus objetivos e a avaliação dos fundamentos e do preço do ativo.
Fonte: Nu Holdings, resultados do segundo trimestre de 2026; Reuters.



