Banco digital viu carteira de crédito disparar 40%, mas avanço da inadimplência, pressão nas margens e expansão mais agressiva do crédito reacenderam dúvidas sobre a sustentabilidade do crescimento da ação NU em Wall Street.
As ações do Nubank (NYSE: NU) operavam em forte queda após a divulgação do balanço do primeiro trimestre de 2026 (1T26). Mesmo com lucro bilionário e receitas recordes, o mercado reagiu negativamente aos sinais de deterioração na qualidade da carteira de crédito da fintech.
Por volta das 7h30 (horário de Brasília), os papéis recuavam 4,80%, negociados a US$ 12,31, refletindo a leitura mais cautelosa de investidores em Wall Street.
O banco reportou lucro líquido de US$ 871 milhões entre janeiro e março, avanço de 41% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar do crescimento expressivo, o resultado ficou abaixo da expectativa de analistas consultados pela LSEG, que projetavam lucro de US$ 980 milhões.
O desempenho reforçou uma percepção cada vez mais presente no mercado: o crescimento acelerado do Nubank continua impressionando, mas investidores passaram a monitorar com mais atenção os riscos ligados à expansão do crédito.
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O que mais preocupou investidores no balanço do Nubank
O principal ponto de atenção foi o avanço da inadimplência de curto prazo.
O índice de atrasos entre 15 e 90 dias subiu para 5%, acima dos 4,1% registrados no trimestre anterior. Na comparação anual, a alta foi de 0,2 ponto percentual.
Ao mesmo tempo, o Nubank acelerou sua atuação em linhas consideradas mais arriscadas, movimento que aumentou a necessidade de provisões para perdas futuras.
Segundo o diretor financeiro da companhia, Guilherme Lago, o lucro foi pressionado justamente pelo crescimento mais acelerado da carteira de crédito, que exigiu reconhecimento antecipado de provisões contábeis.
A carteira total avançou 40% em relação ao primeiro trimestre de 2025, alcançando US$ 37,2 bilhões.
Embora a inadimplência acima de 90 dias tenha apresentado leve melhora — passando de 6,6% para 6,5% — o mercado enxergou sinais de pressão crescente na operação de crédito da fintech.

Crescimento forte, mas com mais risco
Outro fator que chamou atenção foi a estratégia mais agressiva de expansão.
De acordo com o Nubank, modelos mais robustos de análise de risco permitiram ampliar operações de crédito com maior potencial de rentabilidade. Ainda assim, investidores demonstraram preocupação com a sustentabilidade desse crescimento em um ambiente de juros elevados e consumo mais pressionado.
Esse tipo de expansão costuma impulsionar receitas no curto prazo, mas aumenta a sensibilidade da operação a eventuais deteriorações econômicas.
A leitura predominante em Wall Street foi que o Nubank segue crescendo em ritmo acelerado, porém assumindo mais risco para sustentar margens e expansão da receita.
Mesmo com a desaceleração, o Nubank (NU) ainda mantém rentabilidade acima de grandes bancos brasileiros como o Itaú Unibanco (ITUB4).
Rentabilidade segue acima do Itaú
Mesmo diante da reação negativa do mercado, o Nubank manteve indicadores considerados fortes para o setor financeiro.
O retorno anualizado sobre patrimônio líquido (ROE) ficou em 29%, dois pontos percentuais acima do registrado um ano antes.
Apesar disso, o indicador desacelerou frente aos 33% observados no trimestre anterior, movimento interpretado como perda de eficiência operacional em meio à expansão mais agressiva da carteira.
Ainda assim, o banco digital permaneceu acima do Itaú Unibanco, que encerrou o período com ROE de 24%.
A diferença é que investidores costumam exigir taxas de crescimento muito mais elevadas de fintechs do que de bancos tradicionais, o que aumenta a pressão do mercado diante de qualquer sinal de piora no crédito.

Receita do Nubank bate novo recorde
As receitas totais do Nubank cresceram 42% no trimestre, atingindo US$ 5,3 bilhões — novo recorde histórico da companhia.
A receita financeira líquida de juros (NII) avançou 12%, chegando a US$ 3,25 bilhões, também no maior patamar já registrado pelo banco.
Por outro lado, a margem financeira líquida ajustada ao risco (NIM) caiu para 9,5%, recuo de um ponto percentual frente ao trimestre anterior.
O indicador, apesar da queda trimestral, ainda apresentou leve alta na comparação anual.
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Expansão internacional ganha peso estratégico
Ao fim de março, o Nubank atingiu 135,2 milhões de clientes.
A operação no México ultrapassou 15 milhões de usuários e alcançou breakeven pela primeira vez, marco considerado estratégico para a expansão internacional da fintech.
O avanço reforça a aposta da companhia em diversificar receitas fora do Brasil enquanto amplia sua presença na América Latina.
O que investidores devem observar nas ações do Nubank (NU)
Além do crescimento acelerado da base de clientes, investidores passaram a monitorar três indicadores considerados essenciais para o futuro das ações da fintech:
- evolução da inadimplência;
- crescimento sustentável da carteira de crédito;
- capacidade de manter ROE elevado sem aumentar excessivamente o risco da operação.
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Analistas de mercado avaliam que fintechs de alto crescimento, como o Nubank, tendem a enfrentar pressão maior de investidores quando expansão acelerada começa a impactar margens e qualidade do crédito.
O mercado começou a enxergar o Nubank mais como banco do que como fintech
Existe uma mudança silenciosa acontecendo na forma como investidores avaliam o Nubank (NYSE: NU).
Durante anos, o banco digital foi precificado principalmente como uma fintech de crescimento acelerado, modelo que costuma dar ao mercado maior tolerância para inadimplência mais alta, margens pressionadas e expansão agressiva do crédito.
Agora, porém, o cenário começa a mudar.
Com mais de 135 milhões de clientes, operação altamente lucrativa e presença consolidada na América Latina, parte de Wall Street passou a enxergar o Nubank mais como um banco tradicional de grande porte — e menos como uma startup financeira em expansão.
Na prática, isso significa que investidores tendem a cobrar cada vez mais:
- previsibilidade nos resultados;
- controle de risco;
- estabilidade das margens;
- qualidade da carteira de crédito.
Essa transição pode marcar uma nova fase para as ações NU em Wall Street, com o mercado dando menos peso ao crescimento acelerado e mais importância à sustentabilidade da rentabilidade no longo prazo.
México pode se tornar próximo motor de valorização das ações NU
A operação mexicana atingiu breakeven pela primeira vez, movimento visto por analistas como um marco importante para a estratégia internacional do Nubank.
O México possui um dos maiores mercados sub-bancarizados da América Latina, cenário semelhante ao encontrado pelo Nubank no Brasil durante seus primeiros anos de expansão.
Caso a fintech consiga replicar no país parte do crescimento observado no mercado brasileiro, investidores podem voltar a enxergar potencial relevante de expansão para as ações NU no longo prazo.

Imagem: Investidores Brasil com IA
Nubank entra em nova fase em Wall Street
Após anos sendo precificado principalmente pelo crescimento acelerado, o Nubank (NYSE: NU) começa a entrar em uma nova etapa de avaliação do mercado.
Agora, além da expansão de clientes e receitas, investidores querem sinais mais claros de equilíbrio entre crescimento, rentabilidade e controle de risco.
Em um ambiente de juros elevados e competição crescente entre bancos digitais e fintechs, a capacidade de manter crescimento sustentável sem deteriorar a carteira de crédito pode se tornar um dos principais fatores para o desempenho das ações NU nos próximos trimestres.








